Sócia-proprietária da Ibias & Silveira – Advogados, Delma formou-se em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Depois da graduação, especializou-se em Direito Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Direito Processual Civil na Academia Brasileira de Direito Processual Civil (ABDPC). Mais tarde, concluiu o mestrado em Direitos Humanos no Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter). A combinação dessas formações acompanhou sua prática em Direito de Família e Sucessões, área na qual a letra da lei convive diariamente com separações, disputas, perdas e reorganizações familiares.
A experiência profissional logo chegou à pós-graduação. Delma tornou-se professora convidada da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP/ RS), da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Escola Superior de Advocacia da OAB/RS. Também coordenou e escreveu livros e artigos jurídicos e passou a integrar a programação de congressos e seminários. Suas aulas carregam o repertório de quem acompanha processos reais e conhece as consequências que uma decisão produz fora dos autos.
O Direito de Família também a aproximou do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM/RS). Delma preside atualmente a entidade, depois de já ter comandado a seção gaúcha em dois mandatos anteriores. No Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul (IARGS), integra a diretoria como responsável pela área fiscal. Nessas entidades, participou da formação de profissionais e das discussões provocadas pelas mudanças nas relações familiares, nos direitos das mulheres e na proteção de crianças e adolescentes.
Na OAB/RS, Delma acumulou funções que dependiam da confiança dos colegas e de conhecimento das normas da profissão. Eleita conselheira seccional desde o triênio 2013–2015, foi julgadora da Primeira Câmara, vice-presidente e presidente da Comissão da Mulher Advogada. Presidiu por dois mandatos a Nona Turma do Tribunal de Ética e Disciplina. Hoje atua como julgadora do Órgão Especial, conselheira estadual e presidente da Quinta Turma Julgadora da Segunda Câmara. Os votos de louvor recebidos durante esse percurso registram o reconhecimento de seus pares.
Uma das mudanças às quais seu nome ficou ligado ocorreu durante a presidência da Comissão da Mulher Advogada, entre 2013 e 2015. Delma participou da mobilização nacional que garantiu a reserva mínima de 30% para mulheres nas chapas das diretorias seccionais da OAB nos 27 estados. Até então, a presença feminina entre os profissionais inscritos não se refletia nos postos de decisão. A cota abriu uma passagem que, anos depois, levaria à paridade de 50% nas eleições da entidade.
A pauta já fazia parte de sua vida profissional desde o início da década de 1990. Delma presidiu a seção gaúcha da Associação Brasileira das Mulheres da Carreira Jurídica (ABMCJ/RS) de 1990 a 1996 e colaborou na criação da Jus Mulher. A organização nasceu antes da Lei Maria da Penha, quando a violência doméstica ainda recebia pouca atenção do poder público e o Estatuto da Criança e do Adolescente começava a ser aplicado. Mulheres agredidas e crianças encontravam ali atendimento jurídico, acompanhamento psicológico e apoio para recuperar autonomia.
Na Jus Mulher, o trabalho começava por uma necessidade imediata: interromper a violência e informar quais providências podiam ser tomadas. Em muitos casos, isso exigia tempo, escuta e articulação com outros profissionais. Delma ajudou a montar esse atendimento numa época em que faltavam redes especializadas e a agressão ocorrida dentro de casa era frequentemente tratada como um problema privado. O Direito ganhava utilidade concreta ao chegar a mulheres que não sabiam onde buscar proteção.
Anos depois, na Comissão da Mulher Advogada da OAB/RS, Delma manteve o contato com comunidades por meio do projeto OAB Vai à Escola. Advogados visitavam escolas de bairros periféricos e comunidades de Porto Alegre para conversar com estudantes sobre cidadania e direitos. A linguagem precisava ser direta, distante do vocabulário dos tribunais. Para muitos jovens, era uma primeira oportunidade de fazer perguntas a um profissional do Direito e relacionar a lei com situações vividas em casa, na escola e no bairro.
Outra campanha reuniu a Comissão e a Associação Israelita do Rio Grande do Sul na arrecadação de agasalhos e alimentos não perecíveis. Caminhões de som percorreram as ruas convidando a população a participar. Toneladas de donativos foram entregues por voluntários a comunidades pobres, especialmente nas ilhas de Guaíba. A entrega direta permitia reconhecer as necessidades de cada lugar e aproximava os profissionais envolvidos das famílias atendidas.
No Presídio Feminino Madre Pelletier, a atenção se voltou às mulheres encarceradas e a seus bebês. Delma liderou uma ação com informações sobre amamentação, cuidados básicos e proteção da saúde materna e infantil. O cárcere costuma tornar essas mulheres invisíveis, inclusive durante a maternidade. A iniciativa levou orientação a um ambiente no qual a falta de informação pode agravar situações que já são difíceis.
Em 2013, Delma recebeu um diagnóstico de câncer. O tratamento se estendeu pelos anos seguintes e a obrigou a reorganizar a vida. Depois de superar a doença, continuou no escritório, nas aulas e nas entidades jurídicas. Entre 2013 e 2018, também conversou com pacientes e familiares em hospitais públicos e privados de atendimento oncológico. Falava sobre o medo, a espera e a retomada dos projetos a partir do que havia vivido.
Outro tema defendido por ela é a permanência de profissionais maduros no mercado de trabalho. Delma critica a exclusão baseada na idade e sustenta que empresas devem criar processos de recrutamento capazes de avaliar trabalhadores com mais de 50 anos sem preconceito. Experiência e atualização, em sua visão, não são qualidades incompatíveis. A defesa dessa pauta tem o peso de quem segue em atividade depois de décadas de carreira e conhece o valor do repertório acumulado.
Em 2012, Delma foi agraciada com a Comenda Oswaldo Vergara, a maior distinção da advocacia gaúcha. A Escola Superior de Advocacia da OAB/RS concedeu-lhe o Troféu Mestre Jurídico Professor Orlando de Assis Corrêa, destinado a advogados que também se destacam como professores. Ela recebeu ainda um certificado alusivo aos 50 anos da Comenda Oswaldo Vergara e uma moção de agradecimento nas comemorações dos 94 anos da OAB/RS, por iniciativa do presidente Leonardo Lamachia.
Durante a celebração dos 40 anos da Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre, Delma recebeu o Troféu Athena de Destaque Jurídico, promovido pela Revista Em Evidência. A distinção se somou a uma carreira repartida entre a prática jurídica, a formação de colegas, o julgamento ético e as causas sociais.
Hoje, Delma continua no exercício da advocacia e mantém responsabilidades no IBDFAM/RS, no IARGS e na OAB/RS. A rede de apoio a mulheres, as conversas em escolas, as campanhas comunitárias, o atendimento no presídio e o contato com pacientes de câncer registram uma escolha que atravessou toda a carreira: levar o Direito a quem precisa dele, inclusive fora do escritório.
UMA VIDA INTEIRA DE ENTREGA POR SEUS COLEGAS
Delma Silveira Ibias trabalha como advogada desde 1989. Nesses 37 anos, dividiu a rotina do escritório com salas de aula, julgamentos na OAB/RS, direção de entidades jurídicas e projetos sociais. Ensinou, orientou colegas, participou de mudanças na representação feminina da Ordem e esteve perto de pessoas que dificilmente chegariam a um escritório de advocacia
